Neste blog, abordo temas que movem o mundo e a mente: filosofia, gestão, espiritualidade e atualidades. Aqui, cada texto é um convite para refletir, questionar e expandir horizontes. Junte-se a mim nesta jornada de ideias e descobertas. 🚀✨
sexta-feira, 22 de dezembro de 2023
quarta-feira, 13 de dezembro de 2023
Ao fim do dia, somos todos idealistas (5 aforismos)
1.
Estamos convencidos de que as pessoas não são confiáveis. Geralmente quem
diz isso parte do pressuposto que seja confiável. Que todos exceto ela não são
confiáveis. Que podemos esperar traição e inveja de todos, menos dessa alma
pura. E ao fim do dia, todos pensam que são essa exceção.
2.
Posso ser ainda mais sarcástico, se eu vos disser que 95% dos santomenses
pertencem ao famigerado clube dos idiotas – todos concordarão comigo e ao mesmo
tempo se considerariam parte de um clube seleto reservado às figuras proeminentes.
Em caso de dúvida, basta notar como todos os santomenses se sentem a exceção à
regra e possuidor de privilégios morais e sociais quando estão diante de uma
situação que exija algum nível de legalidade. Uns citarão até o código cívil.
3.
Ninguém tem mais conselho para dar sobre a riqueza do que aquele que
acredita ter encontrado a receita do sucesso. Ele vai falar-te do início difícil e improvável,
conta um conjunto de histórias sobre a decisão estratégica que teve na vida. Ao
fim de vários discursos dignos de aplausos, ele respira, e fala do quanto a
família e os amigos o invejam na atualidade… eles invejam a sua mota Suzuki 100, sua casa caindo
aos pedaços e o seu harém de esfomeadas que o assediam nos horários impróprios.
4.
Elas dirão que os homens santomenses não prestam! Elas dirão que somos cães
guiados pelos nossos hormônios. A pergunta que fica no ar é a mesma: de onde
vem tantos cães se não há cúmplices do género oposto?
5.
Depois de 83 os meus queridos compatriotas não puderam mais pensar além do
próprio estômago. Época difícil, crise de fome no país e o poder da abstração
não ia além do almoço. Depois de uns mamões cozidos e folhas místicas toda a economia-política
passou a girar em torno de retirar o máximo possível, guardar, e lembrar que os
tempos sombrios virão e precisamos ter algum farnel, quer para o pequeno
gangster bem como para a família – questões de sobrevivência apenas
sexta-feira, 1 de dezembro de 2023
“Há quem tenha medo que o medo acabe…”
Faz alguns anos que me deparei com essa frase, na verdade uma frase resultante de uma palestra de Mia Couto. Por algum motivo, eu relaciono logo com o pensamento de Krishnamurti de que enquanto houver medo, não haverá liberdade.
O medo aparece como um lembrete de que a nossa sobrevivência está em risco.
O medo de dizer o que pensa porque a tua sobrevivência depende do teu
empregador; Medo de intimidade ou vulnerabilidade porque poderá ser usado pelo
teu parceiro/a contra ti; medo de não poder consumir artigos de moda, porque os
outros podem não te dar valor; medo de cair do patamar financeiro, pois
conquistaste o amor com status económico e tens medo que a relação não resista
às dificuldades. Medo… medo de seguir o que gosta, pois, tem grandes chances de
não se dar bem no mercado de trabalho.
Todavia, tenho visto jovens realmente com medo… medo do mercado de
trabalho, de não ser encaixado e ter um rótulo de insucesso. E é a partir desse
medo que se inicia todo o jogo de dominação simbólica. Os bambus que não se dobraram ou os que não se mostraram flexíveis acabaramm por ser quebrados…
Destarte, o medo enquanto uma algema ideológica. Com o medo criamos o nosso
paraíso artificial de fuga: Lisboa, Londres; Partidos Políticos.. suicídio; criamos uma carreira; um personagem para os outros. Deste raciocínio resulta uma sociedade líquida, não quero mais citar Baumann, mas é isso.
As relações por carência; as amizades por conveniência e a obediência por medo de punição.
Logo, como podemos tirar das nossas relações humanas algo de real? Daí decorre
tantos inertes ansiosos e depressivos funcionais? Daí decorre a necessidade de
elementos químicos para fugir da realidade? Se a tua vida está miserável, a solução
não está no novo ansiolítico, mas em mudar de vida. E muitas vezes numa revolução
pessoal em prol da autenticidade; mora na recusa em aceitar absurdos guiados pelo medo.
Pois, é muito difícil abafar a insistente voz da nossa consciência. Que o único mestre seja nossa própria consciência!
sexta-feira, 6 de outubro de 2023
O problema da ostentação é que ela funciona e é atraente!
Sempre estive entre os idealistas. Pessoas com uma visão bem particular da realidade que e do alto da sua bolha achavam que o mundo era movido por ideais e boas intenções.
Todavia, as reações humanas não passam
incólumes às propagandas do capital; ao fetiche da mercadoria. Boa parte das
pessoas experienciam a felicidade a partir da aquisição de coisas e corpos.
Vejam, só por um momento, quais são as
páginas que mais possuem seguidores… Não são essas mesmas moças com as mesmas
posturas e fotos parecidas com o mesmo tipo pode roupa? Não são esses homens ostentando
lugares, experiências e capacidade de consumo?
Com efeito, alguns mais conscientes dirão:
os homens não querem esse tipo de mulher? A mulheres não querem esses homens
superficiais que não têm nada além do corpo e o dinheiro para sublimarem… ledo
engano, são esses os mais assediados. A academia dirá – eles não são amados por
aquilo que eles são, pois, são superficiais e materialistas. Sinto muito, mas a
sociedade como um todo é superficial e materialista. Ninguém quer saber o que
um pasteleiro da esquina tem a dizer, mas sim, CR7 ou Bill Gates. É muito provável
que quando te perguntam o que fazes da vida, na verdade, estão te perguntando:
como mereces ser tratado de acordo a tua capacidade de consumo e influência.
Eu olho homens em festas e as mulheres
também. O ritual de acasalamento está ali. Elas de facto prestam atenção à
marca de roupa; os carros estacionados lá fora; O sorriso de quem venceu na
vida enquanto fuma shisha. Do outro lado, os homens seguindo com os olhos os
peitos duros brincando com a roupa; as nádegas rígidas desafiando a lei da
gravidade; as danças sensuais imitando um ritual de acasalamento alienígena. E
esses estereótipos coexistem e formam o consenso.
Todavia, sim, é o teu corpo e a capacidade
de consumo que vai te tornar atraente à maioria das pessoas. E quando falo de capacidade
de consumo, não entendam como somente o supérfluo, mas o necessário também. É a
capacidade de ter um plano de saúde em Portugal que te mantém vivo em São Tomé.
A capacidade de viver em uma casa com boa insolação, água potável e canalizada
que te mantém saudável. É o dinheiro que decide a qualidade da tua alimentação
e a tua experiência cultural. Podemos ignorar o jogo, mas não as consequências
de ignorar o jogo.
Quero ir ainda mais longe… tantos homens
que encontro no bar tendo ataque de pânico porque o dinheiro está fugindo, a
mulher não o respeita mais e os filhos que viam nele um saco azul passam a lhes
ignorar. De repente, as cenas de ciúmes começam, a mulher rejeita-o sexualmente
e os amigos de copo não o convidam mais. O único elo que liga a família e uma
boa amizade muitas vezes é só o dinheiro.
Um jogo interessante, se através da ostentação
conquistas e manténs, com a fuga do capital, de facto acreditas que ela ficará
por uma força abstrata qualquer? Se ao ostentares o corpo em mil redes sociais atraíste
olhares, acreditas que, ao perder ou no surgimento de uma outra concorrente
melhor, ele ficará com base em teus valores que nunca foi o interesse primordial?!
– Se estamos comprando afetos, precisamos saber que estamos comprando. Tim Cook
não passa a morrer de amores por ti após comprares um produto da Apple. Just
doing business!
sábado, 23 de setembro de 2023
Sentes-te triste? sorria, não resolve, mas a pessoal dará "like"
Posso facilmente adivinhar como é que a maioria da minha geração se sente – ansiedade; medo do inferno capitalista - pobreza; sensação de estar sendo socialmente vigiado; depressão; sensação de não se encaixar…
O
evangelho aos pobres tem uma lógica interessante – podes controlar tudo o que
te acontece, é uma questão de mindset. E caso não consigas aqui na terra, existe
um outro mundo, mas claro, pós-morte, onde alcançarás a glória reservada aos
humilhados.
Custava-me
ver a forma como as pessoas justificam a sua desgraça. Está aí um bom momento para
ver o poder ideológico. Alguém que perde um ente querido por falta de cuidados médicos de
qualidade ou por falta de dinheiro para tal, acredita piamente que estava
escrito e deus assim quis. A mesma lógica que faz ter tantas igrejas nos locais mais
pobres e onde abundam desgraçados.
Por outro
lado, as pessoas criadas em privilégios tomam por natural os seus privilégios
também. Conheci muitos que tratavam outras como idiotas por não conhecerem “Disney
Channel” ou McDonalds. Eles acreditavam piamente que nasceram com alguma
inteligência superior e por mérito próprio chegaram onde chegaram. Pessoas que do
alto do seu Toyota Prado oferecido pelo pai olham para uma menina vendendo
saldo na rua e veem nela uma disputa legítima pelo topo.
Por
consequência, a lógica ainda é mais caricata. A solução encontrada pelos pobres
é a imitação do comportamento dos privilegiados. Fingir que os problemas sociais não existem para eles.
Apoiam as pessoas que retiram seus direitos como se fossem iguais. Por proteger os
privilégios de A ou B julgam possuírem a mesma identidade.
Uma
prostituição moral interessante. Lógica de uma mulher espancada pelo marido que
precisa fingir que nada acontece para que a sociedade não a condene. Julga
normal porque muitas mulheres são espancadas, porém, não se atreve a rebelar. Tem
dias que se sente abençoada, ao menos o marido não lhe cortou o braço como o marido da vizinha. Por isso, só posso concluir que existe uma cumplicidade.
Acreditas
que a tua depressão passará com meditação? Oração? Pensamento positivo? gurus? –
Não, dinheiro apenas. A maior ameaça ao amor continua sendo a falta de
liberdade financeira. Está aí o poder ideológico. É a falta de dinheiro que te
joga em trabalhos doentios, cursos contra tua natura e quantas das discussões entre os casais não giram em torno desse vil metal?
segunda-feira, 11 de setembro de 2023
A construção dos aleijadinhos do crime
Deve doer a alma de qualquer um encontrar alguém que por força das circunstâncias encontra-se numa situação penosa. Deficiência física; um estômago que não para de gritar; uma doença que exige dinheiro; uma junta médica que nunca aparece; … tudo isso revolta-nos!
Queremos ajudar, contudo, confundimos geralmente a pobreza com a ética. Chamamos pobres de humildes por esse motivo. Sentimo-nos acareciados por Deus por ter o que eles não têm. A doutrina cristã dirá que é o nosso papel ajudar os mais desfavorecidos.
Porém, um caso recente chamou a minha atenção para aquilo que já vinha dizendo em outros textos. Diabo tenta mais na pobreza. Por isso os santos precisam ser pobres. A vilania não tem classe social!
Fiquei sabendo do aleijadinho do crime. Um cadeirante que pede esmolas pela manhã e pela noite executa assaltos. Pela manhã ele convence-te com lágrimas, pela noite, ele convence-te pelas tuas lágrimas. Pela manhã ele é tristonho, impotente, quase um anjinho apelando ao nosso humanismo. Pela noite, o anjo é caído e revela reflexos de um Vampiro exigindo o nosso sangue.
Todavia, não deixo de fazer comparações com os meninos que decidiram lavar todos os carros em todos lugares onde as pessoas buscam por um pouco de paz. Todo mundo é emboscado pelo carro já lavado e uns meninos exigindo para que sejam pagos. Se fores nacional, eles fazem parecer que podemos dar segundo a nossa humanidade. Aos turistas, aparece como um esquema de extorsão. Devo parabenizar os meninos por estarem mais organizados criminalmente. Os bares e os restaurantes são reféns desses pobres meninos. Expulsá-los faz parecer que são porcos capitalistas. Deixá-los, incomoda demais os clientes. Isso é o capitalismo, queremos um bom churrasco, mas não queremos o sangue dos animais em nossas mãos. Queremos medicina avançada, mas não queremos ver os testes que fazem nos animais... Somos humanos demais para encarar esses coitados sendo expulsos de um lugar por serem pobres. Mas não parecemos querer esses coitados pedindo-nos dinheiro a cada segundo. Complicado!
Enquanto assistimos ajudamos esses pequenos anjos, ora dando dinheiro, ora sensibizando-nos com a situação, ninguém faz a pergunta real: como esses meninos pararam ali? de quem é a responsabiliade? qual política pública para resolver a situação? Porque instituições idóneas não tomam uma atitude?
Desculpem-me se pareço insensível, mas não acho que a esratégia de contar com a solidariedade e boa vontade dos turistas e pseudo-abastados santomenses seja algo que faça sentido. Porque esses meninos não vão sair da rua e nem as pessoas devem ser coagidas com vários meninos pedindo coisas todos os dias por toda a parte.
Por fim, nós sabemos como funciona e é assim em toda parte do mundo: primeiro eles pedem para o nossa consciência humana; pela noite eles aparecem com uma pistola na mão e falam diretamente com a nossa consciência mortal. Eles vão se organizar ainda mais. Essa história vai acabar com várias balas na cabeça dos inocentes que não foram disparadas por jovens que já não têm nada a perder. Já dizia Milton Nascimento... uns têm fome e outros não conseguem dormir!
terça-feira, 22 de agosto de 2023
A servidão voluntária & Desobediência Civil. Dois livros, duas faces de uma mesma moeda.
Sempre que imaginamos o autoritarismo é com um olhar de 1984 de George Orwell. Um Big Brother que tudo vê e tudo esmaga tomando para si o monopólio da verdade descrito por Achille Mbembe quando fala do Estado Teológico ou quando vai um pouco mais longe falando sobre a necropolítica.
Escrevo para uma amiga, talvez o texto possa parecer pretensioso,
mas ela enquanto jurista deverá ter uma veia , id est, npara abstrações, não me levem a
mal se parecer assaz verborrágico.
La Boétie sempre pensou na estrutura do poder não no
sentido de Max Weber, mas, em como as pessoas abandonavam a sua capacidade crítica e
oferecia à estrutura toda a sua liberdade. Ele descobriu que era cômodo deixar
que os seus problemas fossem resolvidos por alguém que pretendia os resolver,
logo, não havia tantas vítimas, mas muitos cúmplices...
Na mesma senda, Henry Thoreau percebeu que a chave na
luta contra a tirania norte-americana do estado consistia na desobediência civil,
em não cooperar com o estado. Claro, ele acabou preso, contudo, inspirou dois
personagens icónicos: Martin Luther King & Mahatma Gandhi. Dois pacifistas
que escolheram a desobediência civil enquanto método de resistência.
Portanto, quero dizer-te, querida amiga, as instituições
são kafkianas, enormes, monstros colossais com enormes “processos” que parecem ilõgicos. Sempre que refletires sobre o “status quo”, é sempre bom olhar em volta todos que se beneficiam com o “status quo”, os famosos reacionários.
Quero terminar com a explicação de Malcolm X quando falava
das revoluções possíveis ao sistema. Ele dizia que a revolução jamais
acontecerá quando o crítico do sistema apenas está pedindo ao sistema que o
incorpore. Talvez Paulo Freire estivesse certo, “quando a educação não é
libertadora, o sonho do oprimido é virar opressor”.
Quero deixar uma esperança para ti. Mas fica para um outro momento, agora podemos só refletir sobre a liquidez do mundo, das crises na Argentina, toda a região de Sael, o que anda fazendo o CEDEAO e de que material orgânico é feito o Nobel da Paz do atual presidente da Etiópia… temos muito do que falar sobre a geopolítica do “terceiro mundo”.
Abraços
terça-feira, 15 de agosto de 2023
“Família Forte” descobriu a fórmula de sucesso! Música em tempos líquidos!
Faz uns dias que ouço uma música que na minha mente fosse resultado de algum Dj engenhoso reunindo clássicos da música santomense com um arranjo instrumental mais ousado para atingir a juventude.
Todavia, quero dizer que essa fórmula já
foi criada em escala menor tempos atrás, contudo, só agora esses meninos da Família
Forte escalaram a fórmula trazendo um elemento que não tinha sido muito bem
explorado pelos seus antecessores: “os vibrados”, o pessoal do Rap/Stléva, e mais
alguns que por motivos de memória não consigo me lembrar.
Qual é a fórmula? - Consiste em trazer os elementos do quotidiano,
clássicos da música santola (o bordão ou o refrão) e tudo isso num arranjo
moderno para atingir a juventude santomense.
Os antecessores estavam mais focados em cantar
a realidade do país, os vibrados estavam focados nisso, mesmo que com todos os
seus vieses que decorrem da perspetiva cultural, mesmo assim, ainda havia um
elemento que falta na nova fórmula – a inovação lírica. Os versos do Rei Kongo
em crioulo forro causam riso, espanto, é liricamente interessante… o mesmo vejo
no AG Flyzer e outros que por mais uma vez esqueço de mencionar por não ser um profissional.
Saudades do Mano Jacaré e das rimas em crioulo de G da Wella que pararam a
Biblioteca Nacional.
Por outro lado, Família Forte faz-nos
viajar no estilo de Sum Cornélio, PP Lima, rimas de Mito & Gi. Eles repetem
as mesmas rimas… e isso explora o saudosismo em nós. Ao ouvir julguei estar
ouvindo Babylónia no seu reggae santola. Ao ouvir esses miúdos consigo sentir
vários cantores que eles juntam numa amálgama musical qualquer. Não sei se é
essa a proposta, mas é isso que estão fazendo. Juntaram partes de cada gigante
da música santomense que a nova geração talvez ignore. O
arranjo musical moderno e mais tecnológico com um bass mais mastigável acaba
por atrair jovens e a velha geração entende as referências e têm um momento
saudosista.
Por fim, o monstro de Frankenstein criado pela Família Forte consegue agradar aos gregos e aos troianos e enaltece o nosso crioulo forro em algum nível. O que a Família Forte faz eu comparo com o que o filme “Black Panther” fez para o movimento negro. Um conjunto de pessoas que não conhece Fanon, Aimé Césaire ou o Black Panther Party (ironia) é capaz de dizer Wakanda Forever. Um conjunto de jovens que não entende a originalidade de África Negra, as pérolas de Aidé Índia ou Os Úntués ou a nova geração que nem ouve Camilo Domingos estará repetindo “está tomare kumba, está tomare só” como se estivesse diante de uma grande descoberta… ----
Não posso deixar de agradecer à Família
Forte e aos outros por fazerem os jovens se interessarem pelo crioulo forro e
ao Calemas que ganham mais vendendo um pouco da alta filosofia “Bamu Kélé”
para quem não tem tempo de ler São Deus Lima ou aos Rapazes do Milongo para
quem não tem tempo de ler Padre Sacramento Neto… Cultura é pop! Freio o meu
instinto cultural conservador e todo o meu sarcasmo para genuinamente agradecer ao pessoal porque tem
resultado.
Obrigado… deixo aqui as referências e
outras sugestões para os mais curiosos. OS jovens da Família Forte estão no início,
ainda vão voar mais alto… espero que prefiram arte à fama. Prefiram criatividade ao aplauso.
Família Forte
https://www.youtube.com/watch?v=TR4yP6FLlRc&ab_channel=2F..Fam%C3%ADliaForte
https://www.youtube.com/watch?v=hyyoYSnhyJQ&ab_channel=2F..Fam%C3%ADliaForte
Sum Cornélio
https://www.youtube.com/watch?v=3257mxjDrc8&ab_channel=Andr%C3%A9Tavares
Camilo Domingos
https://www.youtube.com/watch?v=qlsf3HjtCK8&ab_channel=CamiloDomingos-Topic
os leonenses (escrito pelo meu tio – RIP Nuno
Mandinga)
https://www.youtube.com/watch?v=Fvr1lZ7Dxjc&ab_channel=AfricaStickMusic
Babylónia (reparem na voz)
https://www.youtube.com/watch?v=TnRdo4y7ppA&ab_channel=MultmakerEntertainment
África Negra
https://www.youtube.com/watch?v=l783Lcz7ALw&ab_channel=DinneGama
Pepe Lima (não vi disponível a música que queria)
https://www.youtube.com/watch?v=HCNagQztpLs&ab_channel=RSTP
segunda-feira, 31 de julho de 2023
Não se nasce mulher, compra-se?
Então, quero tratar dos arquétipos ou modelos que servem de referência. Por
uma questão metodológica, trato aqui do “ser mulher” enquanto uma produção industrial
de um capitalismo tardio, bem no início dos anos 60, tendo como o seu grande expoente a atriz e modelo Marilyn Monroe.
Quando digo que ser mulher é um ato de
compra, não se trata da mulher biológica, mas da mulher social. O que chamamos
de feminilidade e toda a sua manifestação social estão ligados ao ato de compra.
Para mim, o grande golpe da dominação ideológica foi tornar todo o jogo de marketing como um produto natural. Quando vês uma mulher andar de salto, batom vermelho e lábios
carnudos, a silhueta, a pele fina, os cabelos longos… tem todo um aparelho
ideológico por trás empurrando essa ideia a partir dos seus apóstolos (celebridades)
para que isso surja como o ideal, o padrão, o atingível, desde que seja comprado.
Por outro lado, de qual mulher estás a
pensar quando eu falo de mulher? Das camponesas e seus corpos musculados acompanhados
de uma cintura fina? Certamente não, se falo de beleza e mulher ou feminilidade
surge na tua mente toda a produção de Hollywood e as cantoras famosas que
vendem essa imagem. Ao fim do dia, a infraestrutura marxista continua a mesma, a
economia. As empresas precisam te fazer sentir mal com tudo que és
naturalmente!
De repente, a indústria percebeu o poder de
compra da mulher negra, toda uma gama de estética africana começa a ser vendida
ao público, o que chamaram estrategicamente de inclusão. Perceberam o podem de
compra dos LGBTQ+, toda uma gama de coisas foi inventada para vender a feminilidade
ao grupo. Trata-se de nichos de mercado que decorre de uma abordagem ideológica.
Negócios apenas
Se alguém perguntar o que garante hoje uma ideia
de mulher feminina e desejável, não se trata somente do corpo, mas de um
conjunto de acessórios e notoriedade nas redes sociais. Além do corpo bem
proporcionado, precisa de um iphone, antigamente, um pau de self, várias fotos
de viagem e conhecer lugares inusitados. Precisa de ter um bom número de
seguidores, algum macbook, airpods, estar presente nas festas mais badaladas.
Claro, isso é um estereótipo, está enviesado…
muitas exceções existem e muita contracultura. Esse modelo é o mais divulgado.
E para cada contracultura também encontrará uma estética própria que é explorada
por alguma companhia. Ao fim do dia, amor próprio e aceitação do que se é
continua sendo um ato revolucionário!
terça-feira, 25 de julho de 2023
Um resquício insistente da Frente Popular?
Conheci muitos que na ocasião de 12 de
julho disseram-me que não tínhamos motivo algum para comemorar uma vez que o
país anda numa situação caótica, diriam ainda num tom quase profético, num
estado catatónico. As velhas tábuas estão caindo e as novas repugnam a nobreza
santola. Criamos vários tons pejorativos, desde tongas ao gabão, de angolar ao
londrino.
Através disso, olham as fotos por onde coincidentemente
encontram vários brancos banhando no clube náutico e ocupando moradias que estão
na posse atualmente dos “bravos combatentes” da revolução e dizem: ali sim vivíamos,
ali sim o país era feliz, ali enquanto comíamos mamão cozido em 83. Hoje, essa
gente que frequentava a Rua do Rosário e reclama de pudor em toda a sua
magnitude, essa gente que após a independência se apressou a montar um “clube
dos mulatos” em substituição aos colonos por proximidades de cor… podemos ouvir
dessa gente uma desilusão, como de quem após ter levado o filho ao Monte Moriá para
o Sacrifício, Deus não interveio, não houve cordeiro e um homicídio ocorreu ali, rola a cabeça de
Isaac no asfalto esburacado da nossa jovem democracia…e Tomé quer ver as chagas e Cristo dá
gargalhadas.
Permita-me ainda, nesse misto de aforismo
poético e mordaz cavar ainda mais fundo. Uma vez que não tenho palco para expor
as coisas como as vejo no quotidiano, meio que instinto de sobrevivência e
algum bom senso colocado pelos pais educadores.
Não podemos desacreditar a independência
total e completa por causa do desenvolvimento económico que não ocorreu nos
nossos moldes. São categorias diferentes. Totalmente diferentes. O facto de
alguém ser livre não quer dizer que será feliz, mas é necessário que haja
liberdade para que haja uma chance de tentar ser feliz. Precisamos entender
isso para que paremos de olhar a bandeira subir e descer, num sebastianismo
santomense que veste várias roupagens, tirando de nós a responsabilidade pela
construção coletiva daquilo que almejamos.
Um pouco de entendimento histórico do
contexto africano faria qualquer um ver importância de se ser independente,
mesmo que num contexto internacional duvidoso, várias organizações megalómanas,
o peso da dívida que nos acorrenta o pescoço… desafios e mais desafios, tudo
isso pode ser enfrentando por sermos independentes.
Precisamos parar de falar em devolver o
país aos portugueses, precisamos acabar com o complexo de Peter Pan que tem
assolado o país qual um nevoeiro desviante de opinião pública financiado pelas pessoas
que eram autorizadas pela Loja Intermar a fazer comprar por parte de dentro do
balcão e se sentiam demiurgos por causa disso.
Independência é o que torna todo o debate
contra independência possível. É independência que nos faz não acabar com um
cesto furado tentando sugar toda a água de Fernão Dias enquanto somos fulminados
pelos olhares coloniais… Liberdade é uma possibilidade!
terça-feira, 16 de maio de 2023
Um fim que está próximo e não pode ser visto.
Hoje eu preciso falar de coisas óbvias como se fossem especiais, estamos em
queda. Não se trata de ideologia ou de bons e maus, mas de conceitos básicos que
colocam a existência nacional em questão. O Estado não tem lugar para todos e no fim débito = crédito, alguém sempre paga as contas.
Não me importa se gostas de abrir garrafas de whisky
todos os dias e ter acesso aos vários corpos que pernoitam pela capital, de facto,
não importa. O problema começa quando a promiscuidade torna-se um modus vivendi. Não é moralismo, é economia. Quando vejo um
conjunto de jovens embriagados e mulheres dedicadas à profissão do Velho
Testamento, estou diante de jovens que podiam estar contribuindo para o
desenvolvimento do país, mas estão ali sem talento nenhum e rodando em copos e
corpos até que uma embaixada humana os evacue para Portugal. Jovens financiados pelo capital gerontocrático, Jovens financiados por padrastos, pederastas e todos os moralistas do país que oferecem carros, casas e talão de combustível do Estado aos amores.
Os que ficam olham para isso com olhos elitistas e
acham que são jovens perdidos indo em busca de subempregos e falam agora que
devemos evitar Lisboa por ter santomenses demais… ledo engano, eu só olho o
nosso Sistema do INSS falir e todos aqueles que acreditam que terão reforma
acabar sem ter capital o suficiente para não ser confundido com feiticeiros
na terceira idade, geralmente, é este o destino dos pobres velhinhos descapitalizados.
Por fim, uma elite presa na ideia de cacau e café,
reproduzindo discurso saudosista de um STP irreal enquanto se deixa de lado o
potencial tecnológico, a ciência e a produtividade. O país parece estar preso
agora em fazer da ilha um retiro de férias para os santolas que se deram bem
vir aqui de férias e passear em suas casas e desfilarem em seus carros enormes. E os
que ficam, servem para vassalagem? Quem está guiando esse “bateau ivre”? O que fazer com a nossa matriz económica? Quem nos acordará do sonho dos indicadores fantásticos sobre a nossa realidade?
Lula e a difícil arte de explicar o povo ao povo
A América Latina virou à direita Milei e a sua motosserra na Argentina. Bukele e as suas prisões em El Salvador. Abelardo de la Espriella e...
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